Nesta sexta-feira (20), o RPM faz o show oficial de sua reunião. A banda está com a formação clássica – Paulo Ricardo (voz, baixo), Fernando Deluqui (guitarra, vocal), Luiz Schiavon (teclados) e Paulo P.A. Pagni (bateria) – e toca no Credicard Hall (São Paulo). Eles resgatarão clássicos, lados-B e mostrarão canções de seu novo álbum de estúdio, provisoriamente intitulado 'Elektra'.O lançamento do disco começará pela internet (download grátis no site do RPM), com três etapas (quatro canções em cada uma, incluindo capinha e letras). Depois, no segundo semestre, o material será reunido e disponibilizado no formato físico (CD).
Veja o papo que tivemos com Fernando Deluqui sobre a banda e, claro, o show de amanhã, com casa lotada.
GP: Apesar de a volta oficial do RPM ser nesta sexta-feira (20), vocês tocaram em abril na Virada Cultural. O que deu para sentir e, eventualmente, ajustar no esquema da banda com aquela apresentação?
Fernando Deluqui: Sim, dia 20, apresentaremos oficialmente o show novo, com direção de Ulysses Cruz, cenário de Ze Arratú e luz de Marcos Olívio. Consumaremos a volta com casa lotada. A receptividade do público nos pegou totalmente de surpresa. De um dia para o outro, 85 % dos ingressos estavam vendidos. Não há mais bilhetes pra quem quiser nos assistir nessa data. Em função disso, há outra apresentação agendada no mesmo local (Credicard Hall) para o dia 12 de agosto. O show da Virada Cultural também foi uma surpresa, em termos de público, pois havia mais gente do que o previsto pela organização do evento. Do palco, eu não enxergava o fim do "tapete" humano que foi prestigiar nosso show. Agradecemos muito essas manifestações dos fãs, amigos e público em geral. Ali, pudemos perceber que o som do RPM é bem aceito hoje, o que nos deixa mais relaxados. De músicas lado-B, como 'Juvenília' e 'Guerra Fria', à inédita 'Crepúsculo', o povo respondeu bem, dançando e aplaudindo. Mostrou que está em sintonia com o trabalho da banda, e isso nos encoraja a apresentar mais das inéditas.
GP: No show da Virada Cultural, houve quem se queixasse de que o "meio" do repertório tenha ficado um tanto "paradão" e que os hits acabaram ficando no início ou no final. A sequência das músicas será a mesma para toda a turnê?
Deluqui: Bem, não dá para agradar a todo mundo. O que dá pra fazer em um show da Virada, por exemplo, é dar o máximo em relação à performance, ter muito cuidado com a escolha do repertório (que vai sendo lapidado a cada apresentação), luz, cenário, etc., que nos agrade. Se a banda está "viajando", provavelmente o público viajará junto.
GP: Vocês pensam em tocar quantas músicas novas no show desta sexta?
Deluqui: Vamos tocar quatro, são elas: 'Crepúsculo', que tem sido apresentada nos shows desde a Virada, 'Muito Tudo', que remete à melhor sonoridade dos anos 1980 e também é a abertura do show, 'Ela é Demais', dance rock com grooves e guitarra wha-wha hipnótica, e 'Olhos Verdes', que é a música a ser trabalhada, embora tudo possa mudar. Com as redes sociais e ferramentas atuais, é impossível prever [o que pode acontecer].
GP: Pelo que pudemos ver na Virada Cultural, o som clássico da banda foi mantido, ao contrário de outros casos de retomada de carreira, em que os artistas tentam novos caminhos. O que pesou mais na hora de definir a sonoridade 2011?
Deluqui: Bem, no nosso caso, são essas duas coisas acontecendo simultaneamente. Mantivemos nossa sonoridade, pois cada um de nós tem seu estilo, e estamos tentando novos caminhos. Quando uma banda volta a compor e gravar depois de um tempo, é comum tentarem rotular o som, ou associá-lo a alguma banda conhecida – o que acho ruim. Denota falta de originalidade da banda. Esse não é o caso do RPM, que volta com o velho som, mas trazendo elementos que modernizam sua sonoridade. Uma curiosidade é que estou voltando a usar o Peavey Classic 50, que é exatamente o amplificador com o qual gravei o CD 'Radio Pirata ao Vivo', de 1986, e esso é outro elemento de identidade da minha sonoridade. A música eletrônica também entra como influência forte, dando ao nosso som uma batida boa para todo o tipo de festa. Boa para as pistas, mas com guitarras típicas do rock 'n' roll. Estamos misturando tudo e apresentando uma seleção do que achamos ser a nossa melhor linguagem. As quatro músicas [novas] que apresentamos no show estão disponíveis para download no site da banda. Claro que, como o Luiz [Schiavon, teclados] e o Paulo [Ricardo, baixo e vocal] estão produzindo essas faixas, o som tem a cara deles e a guitarra não tem o destaque que tinha em meus trabalhos individuais. Mas isso também é trabalhar em banda.
GP: Deve ser uma sensação boa quando você começa com a guitarra músicas como 'Revoluções Por Minuto' ou 'Louras Geladas' e sente a vibração da plateia, não?
Deluqui: Sim, no show existem esses momentos que emocionam. Acredito que o show é o momento maior de contato com o público. O riff inicial de 'Louras Geladas', nosso primeiro grande sucesso, levanta a galera. Não há show em que isso deixe de acontecer. É algo como "liberou geral" ou "eu pago essa rodada" [risos]. O mesmo rola com 'Revoluções', que tem a abertura com a sequência programada nos teclados. Dá aquele clima pesado e emocionante, que remete à turnê 'Radio Pirata'. Os fãs das antigas choram e os novos "viajam" com o arranjo, que é clássico. Isso é muito precioso. É bom poder contar com essa 'vibe'.
GP: No seu caso, em especial, o que é mais emocionante quando está em cima do palco com a banda?
Deluqui: No caso desta turnê com o RPM, o que mais me emociona é a própria volta. É o que o grande público quer. E estarmos juntos, de verdade, lá no palco me faz ter uma sensação boa. Agora, a volta da banda aconteceu depois da exibição do programa 'Por Toda a Minha Vida', da Rede Globo, em novembro do ano passado. Teve violenta repercussão. É um momento delicado e vejo que a hora exige muita atenção de quem está acompanhando a evolução das coisas, mas acredito que tudo vai dar certo no final. Não queremos perder a oportunidade que nos está sendo dada outra vez. Dou valor à minha história e não tenho amnésia quando me convém para cuspir no prato em que comi. Gosto do meu trabalho autoral feito em carreira solo e acho legal os shows dos anos 1980 que fiz com outros artistas amigos, mas não poderia deixar de fazer parte do RPM agora. Vamos aproveitar o momento! Dessa vez, sinto que nós quatro estamos a fim de continuar por muito tempo juntos, mas, como diz John Lennon, "tomorrow never knows" [na tradução livre: "nunca se sabe de amanhã"]. Nessa vida, não temos controle de tudo... Aliás, de quase nada.
Fonte : revista guitra palyer
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